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Grande entrevista - Presidente do Conselho de Administração do Grupo 2000

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Numa grande entrevista, o Presidente do Conselho de Administração do Grupo 2000, Sr. António Ambrósio, faz o balanço do ano 2014 e revela as razões de 34 anos de sucesso.

“NÃO ESTOU NA VIDA NEM NA GESTÃO DA EMPRESA COM LÓGICA. ESTOU COM EMOÇÃO, COM VERDADE, COM CRIATIVIDADE, COM DIGNIDADE E COM MUITO EMPENHO.”



“O GRUPO 2000 TEM 3 EMPRESAS, 27 DELEGAÇÕES, CERCA DE 200 COLABORADORES, 15.000M2 DE ÁREA COBERTA, DEZENAS DE MÁQUINAS, 72 CARROS. É MESMO GRANDE.”


Entrevista Sandra Carmelo || Fotografia Helena Barbosa


No início de 2014 afirmou, em várias reuniões, que seria mais um ano de resultados positivos nas três empresas do Grupo 2000, o que se concretizou. E na Tintas 2000, o ano 2014 foi mesmo o ano com melhores resultados de sempre. Com o mercado ainda a dar os primeiros sinais de retoma, o que o fazia ter tanta convição nessa afirmação?
A convição parte de mim. Tenho muita confiança em mim, na minha filha e nos meus colaboradores. E nada disto acontece por acaso. Dou-lhe um exemplo, ainda ontem, domingo, recebi 39 emails e 11 telefonemas. A empresa tem cerca de 200 colaboradores dos quais 50% trabalham ao domingo. E sem eu os mandar, naturalmente. Trabalham porque querem. Quando se consegue isso, o sucesso está garantido. Estou contente porque temos aqui gente empenhada, que até trabalha ao domingo, sem sacrifício. Vêm, com prazer, trabalhar para o Grupo 2000. O pior que podemos ter na vida é trabalhar por obrigação, trabalhar para sobreviver. Neste momento no Grupo 2000 não se passa isso e muito especialmente com a equipa de vendas. É muito difícil vender e é muito difícil ter 42 comerciais bem preparados e muito motivados para se levantarem todos os dias de manhã e irem vender. Eles não fazem sacrífico. Mas eu também não faço sacrifício em receber e responder, ao domingo, aos 39 emails e 11 telefonemas. Acho que ficava incomodado e cansado era se não os recebesse.


Os resultados da atividade, em 2014, superaram as expectativas e já divulgou que vai fazer a distribuição de uma parte dos lucros pelos colaboradores. É uma forma de valorizar a contribuição de todos para os bons resultados?
Foi para mim uma grande alegria ter conseguido este objetivo. O Grupo 2000 teve bons resultados e uma parte do lucro vai ser distribuída pelos colaboradores mediante uma avaliação do resultado e do desempenho de cada um. No Grupo 2000 há muita gente bem paga. Outros precisam de ganhar mais atendendo às responsabilidades que têm. Mas todos os vencimentos são superiores aos valores definidos no contrato colectivo de trabalho, 20, 30 e até 50%. Porque há anos atrás quando a inflação era de 10 e 15%, nós aumentávamos os vencimentos em 30 e 40%. Nem tudo me calhou bem mas não estou arrependido com este tipo de gestão. O maior valor do Grupo 2000 está nos seus colaboradores. E é interessante que todos pensem no seu contributo para cada litro de tinta que sai da fábrica. Todos têm que pensar: “eu também tenho influencia nisto e vou ganhar alguma coisa”.

Que balanço faz do ano 2014?
Foi bom. Foi o melhor ano de sempre. Mas não correu tudo bem. Quando, numa empresa, corre tudo bem o resultado não vai ser grande coisa. Às vezes são precisos acontecimentos negativos para a empresa estremecer e reagir de forma positiva. Mas é necessário gerir muito bem estas situações.


Em relação a 2014 pode dizer: “fartei-me de gozar a trabalhar”?
Essa frase foi dita numa reunião na Marilina, 3 meses depois de eu ter começado a trabalhar. Tinha então 25 anos. Nessa reunião disse: “o mundo está cheio de vulgaridade e precisa de pessoas diferentes. Eu sou diferente e farto-me de gozar a trabalhar”. Tive a sorte de ter um chefe e um patrão de quem gostava, o Sr. Manuel de Matos Leite. Esse senhor encantava-me e fez com que eu me apaixonasse pelas tintas. E continuo apaixonado pelas tintas há quarenta anos. Até aos 25 anos fui bom “vivant” e talvez até um pouco irresponsável. Mas depois descobri que é bom trabalhar. Arrisco a dizer que 90% das pessoas não conhecem o prazer do trabalho nem a realização pessoal que o trabalho proporciona. TRABALHAR SIGNIFICA FAZER BEM À POPULAÇÃO MUNDIAL. Quem trabalha com quem não gosta ou é masoquista ou então tem que trabalhar para sobreviver. Em relação a 2014 não posso dizer que correu tudo bem mas concretizei muitos projetos que me deram muito gozo.


Quais foram os acontecimentos de maior êxito em 2014?
Foi o facto de termos conseguido os melhores resultados de sempre, em 34 anos de existência da Tintas 2000. E a grande evolução dos nossos recursos humanos, especialmente da equipa comercial. Posso dizer que tenho uma excelente máquina comercial.


E o que considera ter corrido menos bem?
Menos bem correu um projeto de construção de uma unidade de produção de tintas em Angola. Estava tudo muito bem encaminhado até que a situação em Angola começou a complicar-se. Sou um homem de risco calculado mas não sou aventureiro. Vamos ver como vai evoluir o preço do petróleo e a situação em Angola.


E aqui dentro da empresa?
DIGO COM CONVICÇÃO QUE A EMPRESA ESTÁ NA MELHOR FASE DE SEMPRE. Teve bons resultados e tem uma situação financeira privilegiada. Tem muita visibilidade e notoriedade. A Administração tem vontade de andar. Temos gente de qualidade. São quase todos. Alguns são mesmo muito bons. Outros são fracos. E a diferença é enorme. Este desequilibrio tão grande de capacidades é muito difícil de gerir. Um jogador que jogue na equipa do Paços de Ferreira é bom mas é fraco se for comparado com o Cristiano Ronaldo, que é o melhor jogador do mundo. TENHO GOZO EM VIR PARA A EMPRESA TRABALHAR COM PESSOAS QUE FAZEM COISAS TÃO BEM FEITAS QUE ME DESLUMBRAM.


Na última entrevista ao Jornal do Grupo 2000, em março de 2012, quando lhe perguntei “Fez alguma coisa que depois se tivesse arrependido de ter feito?” respondeu: “Fiz. Arrependi-me de ter construído aquele edifício enorme para a empresa Ambrósio & Filha. Mas agora já não estou arrependido. Dentro de 2 meses, o investimento estará pago na totalidade e agora a empresa está a funcionar muito melhor e os resultados já são interessantes.” Em 2014 foi evidente, num dado período, uma maior dedicação da sua parte à empresa Ambrósio & Filha, que apresentou crescimento de vendas e resultados positivos. Até a imagem do edifício foi totalmente renovada. Em 2015 vai manter esta aposta em Ambrósio & Filha?
Visitei clientes com o diretor comercial, José Condesso, e com os comerciais. Tive resultados positivos mas não foram os que eu esperava. Verifiquei, com satisfação, que existe uma nova geração de gestores na indústria do mobiliário. As empresas modernizaram-se. Apostaram no design e internacionalizaram os seus negócios. Em 2015 vou dar um apoio muito especial a Ambrósio & Filha. A empresa está localizada em Rebordosa, no concelho de Paços de Ferreira, que tem uma enorme atividade no mobiliário, 45% dos móveis portugueses são feitos no concelho de Paços de Ferreira. Por outro lado o Vale do Sousa regista um grande consumo de produtos para construção civil. Em relação ao que eu idealizei há vinte anos, quando criei a empresa Ambrósio & Filha, devíamos estar hoje a vender três vezes mais do que vendemos. Mas reconheço que Paços de Ferreira é uma das zonas mais difíceis do país, onde há 49 empresas a vender vernizes. Mas consomem-se vernizes em todo o país. E a Tintas 2000 continua a ser o principal fabricante nacional a vender vernizes em todo o país.


De acordo com dados da Associação Portuguesa de Tintas (APT) as empresas do sector cresceram, em 2014, em média 3%. O Grupo 2000 cresceu três vezes mais. Quer comentar este facto?
A Tintas 2000 cresceu 8%, a Tintas Marilina aumentou 15% o seu volume de negócios e Ambrósio & Filha cresceu 5%. De lógico não tem nada mas é admirável. Pela lógica só teríamos crescido 3% mas crescemos 3 vezes mais. Não estou na vida nem na gestão da empresa com lógica. Estou com emoção, com verdade, com criatividade, com dignidade e com muito empenho. As pessoas que usam a lógica são limitadas no raciocínio. Digo muitas vezes que a estratégia não existe. A nossa estratégia é não ter estratégia. Se eu não tivesse provas dadas diziam que eu era louco. (Mostrou um cartão com algumas anotações.) Esta é a minha estratégia para hoje. Vou falar com estas 11 pessoas. Amanhã a estratégia já é outra. Tenho a minha maneira de gerir e os meus processos de agir. O que é que isso deu? Nos últimos oitenta anos, das empresas de tintas fundadas em Portugal, a Tintas 2000 foi a que mais cresceu. E hoje somos a terceira empresa portuguesa com capital 100% português.




Nos últimos anos tem procurado contrariar o mercado dos preços baixos e tem promovido a venda de produtos de qualidade. Esta estratégia tem tido os resultados que esperava?
Os preços baixos seriam muito bons se a qualidade dos produtos também fosse boa. Mas não é. A tinta não pinta. Nem se pode chamar tinta. O cliente gasta mais na mão de obra da pintura do que na tinta. O custo da mão de obra da pintura é o mesmo se o cliente pintar com um balde de 15Lde uma tinta que custa 10€ ou com um balde de 15L de uma tinta que custa 100€. E a durabilidade da tinta não é a mesma. A qualidade paga-se. A qualidade tem custos, nomeadamente na formação dos comerciais que estão bem preparados tecnicamente e podem aconselhar as melhores soluções de pintura. CLIENTES BEM SERVIDOS DÃO BOAS REFERÊNCIAS E CONTRIBUEM PARA ARRANJAR OUTROS CLIENTES.


No final de 2013, a sua filha, Dra. Ana Ambrósio, concretizou a adesão da Tintas 2000 ao programa Portugal Sou Eu, com o intuito de valorizar os produtos portugueses. Qual é o balanço que faz desta iniciativa, um ano depois?
A Tintas 2000 ganhou muita visibilidade com a adesão ao Portugal Sou Eu. Demos várias entrevistas na televisão, participamos em vários eventos, estivemos no Palácio de Belém. Faz todo o sentido porque Portugal sou eu. É você. E somos todos nós. Temos bons produtos, produzidos com boa mão de obra. Temos que valorizar o que é nosso e comprar e consumir o que é português. Às vezes alguns pais falam-me da preocupação em arranjar emprego para os filhos mas compram produtos importados da França, da Itália, da Espanha, da China. Com esta atitude como esperam contribuir para criar emprego em Portugal? Há casos em que o nosso produto é melhor do que os produtos importados. Temos que comprar made in Portugal.


Em 2014 foi à Argélia e a Angola. Em 2015 tem perspectivas de intensificar o volume de negócios com os referidos países?
Realmente as duas viagens que fiz com a minha filha não tiveram ainda resultados práticos. Não gostei da Argélia. Mas Angola encantou-me. Estou mais interessado na Europa. França, Bélgica e Luxemburgo. Temos vendido lá tinta e temos boas perspectivas de aumentar o volume de negócios nesses países. Também temos exportado para Cabo Verde e para a Guiné. A internacionalização é vital. Mas também é importante evitar a importação de produtos, nomeadamente vernizes para mobiliário. Esta é outra via de ajudar o país. Com produtos de qualidade semelhante não tenho capacidade para entender porque razão os industriais de móveis não usam vernizes portugueses.


Em 2014 o Grupo 2000 admitiu 14 estagiários. Esta estratégia de renovação do capital humano está a revelar resultados positivos?
Ainda é cedo para dizer se o resultado é positivo. Têm sido admitidas pessoas novas. Gosto de falar dando exemplos. Todas as atuais chefias do Grupo 2000 começaram do zero. Dez dos onze diretores começaram a trabalhar no Grupo 2000. Desde a primeira hora optei por admitir gente nova. A condição essencial para admitir alguém é não ter experiência.


Então porquê? Desvaloriza assim tanto a experiência adquirida?
Porque o que as pessoas aprenderam noutras empresas é tão diferente do que se passa no Grupo 2000 que não entendem o meu vocabulário. Um individuo que tenha trabalhado 5 anos noutra empresa não se adapta à minha forma de trabalhar. Tenho muito orgulho porque alguns bons profissionais foram formados na “universidade 2000”. Sabemos fabricar tintas. E também sabemos fazer bons profissionais. Temos bons formadores e bons hábitos de trabalho. Durante os primeiros 10 anos fui o único formador. E ainda hoje, todos os dias, dou formação a vários colaboradores, em reuniões, nas viagens de deslocação a clientes, nos emails que envio, nos telefonemas e até nos intervalos do café. Não sou o único. Eu sou o formador estratégico e depois há outras pessoas que complementam com a formação técnica. COSTUMO DIZER QUE NO GRUPO 2000 TODAS AS PESSOAS SÃO OBRIGADAS A APRENDER E A ENSINAR.


Como antevê, nos próximos anos, a evolução do mercado de tintas em Portugal?
Julgo que nos próximos 3 a 5 anos o consumo de tintas vai aumentar consideravelmente. Não vamos ter construção nova pois há excesso de casas. Nos últimos 30 anos construíram-se milhões de casas que têm que ser reabilitadas. Desde as aldeias mais pequenas até às grandes cidades, há edifícios a reabilitar. Para isso é preciso dinheiro. Mas o dinheiro vem aí em programas de apoio à reabilitação


E nos sectores da metalomecânica e do mobiliário?
Se as exportações do sector metalúrgico e metalomecânico continuarem a crescer, existe um potencial efectivo de crescimento do consumo de produtos para revestimento por pintura. No caso do mobiliário, a quota de vernizes portugueses em relação ao consumo total ainda é pequena e é possível aumentá-la. Especialmente nos acabamentos lacados.


2015 é o Ano Europeu para o Desenvolvimento cujo lema é: O nosso mundo, a nossa dignidade, o nosso futuro”. Qual é a sua opinião sobre esta iniciativa do Parlamento Europeu?
Realmente o nosso mundo precisa de mais desenvolvimento e de mudar de mentalidade. A dignidade é o que de melhor posso dar à minha filha e aos meus colaboradores. Essa é a minha riqueza. Era bom que a dignidade se vendesse na farmácia e as pessoas a pudessem comprar. Tive desilusões com pessoas em quem confiava. A dignidade ganha-se com o exemplo. As pessoas que trabalham comigo podem dizer o que é que eu prometi e não cumpri. O que é que eu lhes ensinei para fazerem algo de mal? Nada. Pelo contrário, sempre dei o exemplo de ser um homem honrado e de trabalho. Muito trabalho. A nível do país e do mundo há, infelizmente, tantos exemplos de falta de dignidade. Políticos, financeiros e figuras públicas com atitudes pouco dignificantes. Tenho pena desses indivíduos que não sabem ser dignos.


Há dias, no Fórum Económico de Davos o Primeiro Ministro Italiano, Matteo Renzi, referiu que os governos europeus deviam desafiar a austeridade com políticas de crescimento. Concorda com esta afirmação?
Concordo em parte. Para desafiar a austeridade é preciso haver alternativas. Trabalho. Produtividade. Pessoas. Cinquenta por cento dos desempregados não sabem trabalhar e vão estar desempregados o resto da vida. Há duas décadas Trás-Os-Montes dependia 95% da agricultura. Hoje a realidade é bem diferente. Quem vai ensinar os jovens de vinte anos a plantar batatas, semear centeio e cuidar das vinhas?


O que espera concretizar em 2015?
No que respeita a investimentos vamos adquirir equipamentos para automatizar algumas operações do processo produtivo, o que virá reforçar a nossa competitividade. Vamos continuar a investir em recursos humanos, nomeadamente em formação. Vamos continuar a admitir estagiários para depois podermos fazer uma selecção dos que demostrarem ter mais potencial e capacidade de adaptação à nossa cultura. Os melhores integrarão a equipa de profissionais do Grupo 2000. Durante muitos anos bati sempre na mesma tecla: pessoas, pessoas, pessoas. Desde que tenha pessoas e dinheiro, tenho o problema todo resolvido. As paredes constroem-se. Quando estão feias, pintam-se. As máquinas estão obsoletas, substituem-se. Por isso, o principal investimento é sempre nas pessoas. E não é de agora. É assim há 35 anos. Neste momento começo a ter algumas garantias de que tenho colaboradores que estão 100% com a Administração e com a empresa. Já formei aqui no Grupo 2000 pessoas que depois optam por ir trabalhar para outras empresas. É doloroso investir na formação de alguém que depois faz outra opção profissional. Mas neste momento tenho a certeza de que pensam muito bem antes de tomarem a decisão de partir pois sabem que o outro patrão e o outro chefe não têm nada a ver com os do Grupo 2000 e concluem que a mudança lhes pode trazer infelicidade. Há outros investimentos, em equipamentos informáticos e na manutenção das instalações. O Grupo 2000 já tem 27 Delegações e tenho como objetivo que venha a ter 50 nos próximos 5 anos, o que representa um grande investimento.


Em 2015 tem como objetivo que o Grupo 2000 aumente 14% o seu volume de negócios. No entanto as previsões do Banco de Portugal apontam para um crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) situado entre 1,2% e 1,5%. Que estratégia vai usar para alcançar um crescimento dez vezes superior ao do PIB?
Lá estamos no problema da lógica. Face aos valores que referiu, um crescimento de 14% até parece uma utopia. Há 35 anos eu imaginava a Tintas 2000 tal como ela é hoje. O Grupo 2000 tem 3 empresas, 27 Delegações, cerca de 200 colaboradores, 15.000m2 de área coberta, dezenas de máquinas, 72 carros. É mesmo grande. Tudo isto cresceu fora daquilo que é lógico. Por exemplo, nestas três semanas de janeiro a Tintas Marilina vai com um aumento de 34% nas vendas em relação ao mês homólogo do ano anterior. Eu digo que o PIB não vai crescer 1,2% nem 1,5%. Eu digo que o PIB vai crescer 2%. A queda do preço do petróleo tem grande influência e vai reflectir-se no crescimento da economia. Estamos a começar 2015 e até ao final do ano muita coisa vai acontecer. Mas estou convicto de que é possível um crescimento de 14% pois temos pessoas capazes e o Grupo 2000 tem dimensão para isso.


Em 2015 a Tintas 2000 comemora 35 anos, a Tintas Marilina 85 anos e Ambrósio & Filha 20 anos. Nos tempos que vão correndo não é comum as empresas “resistirem” tantos anos! Isso deixa-o naturalmente orgulhoso?
Deixa-me super orgulhoso. Eu trabalho para isso mesmo. E este ano vamos fazer uma grande festa para comemorar.


É um bom motivo para festejar.
Eu e nós sabemos trabalhar e também sabemos festejar. Quem não gosta de mostrar a taça, não é grande coisa. Há momentos em que temos que dizer: eu fiz, eu sou. Os que são discretos ou gostam de passar despercebidos ou têm alguém a fazer o seu marketing pessoal ou não vão longe. Alguém se vai aproveitar do trabalho deles.
Vamos fazer uma grande festa para 3000 pessoas que eu vou convidar pessoalmente. Vou convidar colaboradores, clientes, fornecedores, banca, família, amigos e figuras públicas. Nesses convidados estará gente de todas as classes sociais. Letrados, músicos, construtores, presidentes, arquitectos, serralheiros, engenheiros, pintores, intelectuais e vão todos sentir-se bem e divertir-se. Ninguém se vai sentir deslocado nem isolado. O segredo está na constituição dos grupos. Vai dar-me grande prazer organizar esta grande festa. Vai ser a maior festa privada a realizar em Portugal, em 2015, e todos os que nela participarem nunca mais se vão esquecer.


Tem dito várias vezes que vai continuar a trabalhar e a gerir o Grupo 2000 nos próximos 20 anos. Como antevê o Grupo 2000 em 2035?
É uma pergunta difícil… Acho que não sei responder. O mundo muda tanto e tão depressa que nem consigo imaginar como será o Grupo 2000 daqui a 20 anos. A decisão de viver mais 20 anos não me pertence. Mas estou convencido de que vou viver pelo menos mais 20 anos. Trabalho desde os 25 anos e não faltei um dia ao trabalho. Tenho hoje mais vontade de trabalhar e sinto-me com a mesma ou mais resistência física que tinha com 35 ou 40 anos. Faço tudo o que fazia há 35 anos. E na maioria dos casos com mais vontade ainda. Tenho sempre tempo para fazer tudo. A vontade é que nos faz andar. E o ambiente que criamos à nossa volta é que nos dá bem estar. Todos sabem que eu sei essencialmente trabalhar. Eu gosto realmente é de trabalhar. Eu sinto-me bem a trabalhar. Mas também sei e gosto de fazer outras coisas. Já tive oportunidade de dizer que quero trabalhar até ao dia antes de morrer. Tudo isto joga a meu favor. Para além disso vejo pessoas com 90 anos, ainda no ativo. Porque é que eu não hei-de ser candidato a isso?





Recentemente a propósito de um artigo intitulado “Razão ou Emoção?” assumiu que tem um tipo de gestão emocional. Quer explicar?
A emoção está no coração e a razão está na cabeça. Eu tenho um estilo de gestão emocional e estou na vida com emoção. Sem emoção fico apático. Francisco Sá Carneiro dizia que “estar na vida sem emoção não dá gozo”. A emoção permite resolver coisas que a lógica e a razão não resolvem. Mas atenção que também tenho uma parte racional. Quando é preciso faço as continhas todas e quando chega a hora da decisão e do ter que ser deixo o coração no frigorífico e sou gelado para tomar a decisão difícil. Mas não é por muito tempo porque sou naturalmente emocional. Vivo de forma excitante. A emoção e a razão têm que andar juntas. Ser só emocional dá asneira, 80% dos problemas resolvem-se com emoção e 20% resolvem-se com a razão.


Para terminar esta entrevista, que mensagem quer deixar?
Nós somos diferentes. Somos criativos. Gostamos do que fazemos. Somos formados na universidade do Grupo 2000. Para continuarmos a ser um Grupo de referência nacional e concretizarmos os nossos objetivos preciso muito dos meus excelentes colaboradores. Eu sei que posso contar com eles, mas eles também sabem que podem contar comigo e com a minha filha. Vamos continuar a crescer nas vendas e nos resultados e sendo assim seremos bons para nós e para o país. Temos razões para ter orgulho pois somos das melhores empresas portuguesas.


Obrigada, Sr. Ambrósio, por ter dado esta entrevista ao Jornal do Grupo 2000.
Fico satisfeito com a entrevista que me fez. E com o seu talento jornalístico, que foi feito na “universidade” do Grupo 2000.





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